sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Diferenças irreconciliáveis



Diferenças irreconciliáveis
Eu fumo, ele nunca fumou
Eu como carne (sou do sul), ele vegetariano
Eu não bebo, ele excede sempre
Eu sou dorminhoca, ele insone
Eu sou caseira, ele ama sair
Eu sou chorona, ele durão
Eu gosto de política, ele só lembra-se dela quando vota
Eu sou antenada na moda, ele não sabe a diferença entre uma Hering e uma Hollister
Eu odeio futebol, ele sabe tudo do jogo
Eu sou amo viajar, ele não tem a mínima vontade de sair do país
Eu amo perfumes, ele é alérgico a eles
Eu sou gnóstica, ele ateu ferrenho
Eu sou super ligada na família, ele não fala com a mãe há meses
Eu sou confusa, ele certinho
Eu sou falante, ele é quase mudo
Eu sou do tipo “maternal”, ele é do tipo “madrasta da rainha má”
Eu nunca tenho segundas intenções, ele só tem segundas intenções
Eu adoro gatos, ele os odeia
Eu sou complexa, ele simples

Eu terminei um relacionamento, me cansei das diferenças. Ou melhor, sabia da impossibilidade de mudança, tanta minha, quanto dele. E tenho dúvidas se foi um encontro ou confronto. Sei que não há fórmulas,mas há diferenças que chegam a ser irritantes e irreconciliáveis.Alguns indícios bem claros (eu até postei uns exemplos acima) me mostraram que um relacionamento deve ter gostos comuns e afinidades.Não sei se as diferenças são
É uma condição indispensável, senão haverá invariavelmente desencontros afetivos, se até numa reação química há de ter afinidades intrínsecas para haver uma reação com outra substância, vale para o ser humano?
Será que o ideal de uma relação é meio narcísico, só poderá dar certo se essas forem parecidas nos seus defeitos e qualidades.
O certo é haver uma identificação?O certo é o completar-se?Isso não agride a individualidade do ser?Porque será que um relacionamento se transforma se um dia foi o objeto ideal?Assim, se não houver conflito, não havendo diferenças, pode haver mais afetividade? A plasticidade da relação é fundamental?É só mais uma questão filosófica, ou uma experiência concreta?
É uma ingênua idealização de uma relação?A felicidade é uma idéia velha?Pensar demais atrapalha?Será que esse afastamento, esse buraco negro, é um problema meu?
É uma obsessão de uma eficácia do custo beneficio da minha cabeça?É a culpa de uma idealização, desejo e fantasia? Utopia?É ilógico?O amor romântico é incompatível com a realidade de uma vida conjugal comum?Ou como Vinícius de Moraes disse: Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure?

6 comentários:

Airton Leitão disse...

Quanta inspiração para escrever!!!
Literatura pura ou desabafo mesmo?
De qualquer forma, excelente texto.

flávia disse...

Airton,
Desabafo, um brainstorm individual, uma tentativa de uma busca do estado de felicidade, no caso no campo sentimental (pensando bem, uma relação é uma droga para aplacar a solidão), mas no fundo, acaba esbarrando no profissional e pessoal. Se há possibilidade de viver a maior parte de tempo serenamente com picos de felicidade, e se dá para ter uma maturidade emocional para poder tolerar bem às adversidades, e tudo isso num vai e vem, sem enlouquecer antes.
Abraço,e obrigada,

Carlos, um jeito tabajara de ver a vida disse...

Flavia, relação é dificil mesmo,e está ficando cada vez mais. Tive uma relação recente que foi um desastre.
Relação é uma via de mao dupla, é dar e receber, uma troca consentida, mas nao interesseira. Amor é doçura, é carinho, proteção, compreensão, pele ( não é fimose ), sexo, essas coisas todas. Amar é achar legal o que outra fazia e voce ficava danado da vida. Seu amor fazendo nao incomoda. Nós nao controlamos isso, essa é a questão. isso nao é uma questão de escolha, é uma questão de acontecer. Simplesmente!!!!!
Abraço!!!!!!

flávia disse...

Carlos,
um dia,eu o encontro minha metade(?).
beijos,

Emerson Cargnin disse...

ótimo texto flávia. Identifiquei minha relacao em muitos dos pontos citados, mas enfim, acho q é impossível combinar em todos os pontos ;)

bjao
emerson

Airton Leitão disse...

Flávia,
Sei que hoje é difícil alguém chegar aos 46 anos de "papel passado", mais dois de "ensaio", como acontece comigo. Porém, não desista nunca. Deus querendo, você pode encontrar seu ideal.